Uma das maiores igrejas da Grã-Bretanha se torna casa de espetáculos

A reforma da nave da Igreja da Santíssima Trindade de Hull, na Inglaterra, deverá custar cerca de R$ 18 milhões [4,5 mi de libras]. O prédio tem 800 anos e possui uma longa história, tendo resistido a bombardeios nas duas grandes guerras mundiais. Seus bancos, herança do período vitoriano, serão retirados. O objetivo é criar mais espaço para que as pessoas fiquem de pé.

Não, os cultos dominicais não estão cheios. O prédio da maior igreja paroquia da Grã-Bretanha, construído no século 14, se tornará uma casa de espetáculos. Em breve os louvores e o órgão de tubos serão trocados pelo som das guitarras e as luzes multicoloridas dos shows por música pop.

Os cristãos que frequentavam o local não estão satisfeitos com as reformas polêmicas na igreja localizada em Hull, que tem envergadura de uma catedral. Mas os funcionários alegam que as mudanças eram necessárias para evitar a falência.

A manutenção do prédio custa mais dinheiro que a igreja arrecada. Se nada fosse feito, ela seria mais um prédio religioso fechado na ilha.

Patricia Brown, que esteve recentemente no local, disse: “Eles chamam de restauração. Eu chamo isso de vandalismo e trabalho do diabo. Jesus expulsou aqueles que deixaram de fazer do templo um lugar de adoração”.

Apesar das críticas, a igreja será totalmente reformada até maio. A administração central da Igreja Anglicana aprovou sua utilização como espaço para apresentações musicais. Ano passado o local já hospedou um “festival de cerveja”.

É o fim de uma batalha judicial de três anos, onde a Sociedade vitoriana apelou a diversas instâncias jurídicas. Perdeu em todas. Peter Collier, chanceler da diocese de York, reconheceu que o espaço não será mais visto apenas como um espaço religioso.

O anúncio público é que a nova casa de espetáculos receberá alguns dos “maiores nomes do pop” quando o trabalho estiver concluído. Até agora, nenhum show está confirmado.

Os 36 bancos de madeira da frente da nave foram retirados para a instalação de um sistema de aquecimento, central de iluminação, um sistema de som e máquina de gelo seco.

Christopher Costelloe, diretor da Sociedade Vitoriana, acredita que a igreja ficará descaracterizada, mas reconheceu que “na maior parte do tempo a nave era um vasto espaço vazio”. Ele defendia que seria possível hospedar eventos apenas fazendo mudanças no layout, como o alargamento dos corredores.

O pastor responsável pela igreja, Neal Barnes, resumiu-se a dizer: “Para o tipo de eventos que pretendemos, – grandes concertos e banquetes – não é possível termos bancos fixos. A menos que tenhamos esse aumento de renda, iremos à falência e teremos que fechar as portas – então ninguém mais poderia desfrutar dessa herança medieval”.

No último censo do governo, o cristianismo ainda é a maior religião na Inglaterra e no País de Gales, com 33,2 milhões de seguidores. Uma redução de 4,1 milhões em relação ao censo anterior, de 2001. Em média, nas últimas duas décadas, são fechados 25 templos cristãos por ano no país.

Fonte: Gospel Prime

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